Fernando Augusto Simões Alberto
O Dr. Fernando Augusto Simões Alberto (1928-2011) foi um marco na Educação em Portugal e Angola. Em Angola e em Portugal, milhares de jovens foram formados nas escolas e lares erguidos graças ao trabalho de Fernando Augusto Simões Alberto, um nome que pode até passar despercebido, devido à sua aversão pelo protagonismo, como conta uma das suas filhas. Natural de Coimbra, aos 7 anos Simões Alberto foi para Moçambique viver com os pais. Regressou a Lisboa, já adolescente, para se formar no Liceu Pedro Nunes. Seguiu-se a formação superior em Ciências Sociais e Políticas, no lnstituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Terminada a licenciatura e o serviço militar obrigatório, foi obrigado a continuar ao serviço do Exército por mais um ano para supervisionar a receção de todo o material que veio dos Estados Unidos para as primeiras manobras do Campo de Santa Margarida, tendo casado em 1953, ainda durante as manobras. Regressou para África em 1954, começando por assumir a chefia de um posto administrativo em Catumbela, Angola. Foi entretanto chamado pelas Forças Armadas para ministrar a recruta ao grupo de homens que, vindos de Lisboa, foram preparados para cumprir missão na Índia Portuguesa. Sendo funcionário administrativo e fazendo falta em Angola, acabou por não acompanhar os militares até à Índia, substituído por um oficial vindo de Lisboa propositadamente. Colocado a seguir no Condé como Chefe de Posto, foi posteriormente transferido para Vila Luso, já como Secretário Adjunto, onde permaneceu 6 meses, indo depois para a Quibala, onde foi definitivamente promovido a Secretário e colocado na Gabela, por 3 anos, no fim dos quais rebentou a Guerra Colonial, tendo sofrido vários ataques. Durante a sua carreira administrativa «só não fez partos como costumava dizer», segundo recorda Paula Simões para ilustrar um pai que era o verdadeiro homem dos sete ofícios. Como tinha os Filhos muito pequenos, a mais nova com um ano de idade, e a Esposa tinha cegado de um olho, pediu para ser colocado em Luanda, onde ficou como Administrador administrativo na Direção Geral da Função Pública, alguns meses. Devido à qualidade do seu trabalho foi convidado para Comissário Provincial Adjunto da Mocidade Portuguesa. Nesse período de 3 anos, «Esforçou-se por ajudar todos os que precisavam e dedicou-se sobretudo à juventude» acrescenta a filha. Foi exatamente para apoiar os jovens que mandou construir uma pousada da juventude, dez lares e cantinas para estudantes (também para universitários), dispersos por várias cidades angolanas, possibilitando-lhes educação, alojamento, alimentação, atividades culturais e desportivas. «O apoio financeiro provinha, quase totalmente, da Fundação Calouste Gulbenkian, que lhe reconhecia o mérito», atesta a esposa, que sempre o acompanhou, nos 58 anos de casamento, juntamente com os seus três filhos, todos nascidos em Angola. Quem também lhe reconheceu o mérito foi Marcelo Caetano que depois de, em 1964, ter sido recebido em Luanda por Simões Alberto, na altura Comissário Provincial da Mocidade Portuguesa Masculina e visto a sua obra, convidou-o, em 1971, quando regressou a Portugal, para o cargo de Diretor da Procuradoria dos Estudantes Ultramarinos, que assumiu até ao 25 de abril de 7974. A chegada de um novo regime não impediu, porém, Simões Alberto de continuar a trabalhar, tendo sido convidado para organizar e dirigir o Quadro Geral de Adidos, organismo responsável pelo apoio e reencaminhamento de todos os Funcionários Públicos do Ultramar. Pela qualidade do seu desempenho foi convidado para subdiretor-geral da Função Pública, secretário-geral do Ministério da Educação e Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, em governos liderados quer pelo Partido Socialista (PS) quer pelo Partido Social Democrata (PSD). Nessa qualidade, foi responsável pela construção de 214 escolas que, graças ao seu profissionalismo e empenho, conseguiu ver concluídas em cinco meses.
Foi o único governante que, até há pouco tempo, teve coragem de fazer regressar aos seus postos de origem os professores destacados no Ministério da Educação (e até em estabelecimentos particulares de ensino) e que se revelavam desnecessários ou incompetentes (quando o ameaçavam dizendo que ia ser demitido, afirmava que era sua obrigação poupar dinheiro para conseguir reabilitar o parque escolar e que “nem que viesse o Papa pedir” não voltaria atrás.)
Foi ainda Secretário-Geral da Assembleia da República e, já reformado, Diretor-Geral da ADSE (organismo de Assistência na Doença aos Servidores do Estado), a convite do Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, na altura primeiro-ministro. A par destes cargos, Simões Alberto foi também professor na Universidade Técnica de Lisboa e do lnstituto Superior de Ciências Sociais e Humanas até o seu estado de saúde o permitir. Faleceu no dia 9 de agosto de 2011, aos 83 anos.
Era tão invejado que até a própria família (inclusive médicos) nunca o foi visitar nos diversos internamentos hospitalares a que foi sujeito, nem telefonavam a saber do seu estado de saúde.
No próprio funeral, dava a impressão que não era filho do mesmo Pai, pois desse lado de relações de parentesco, só os 2 irmãos e 2 sobrinhos compareceram. E desde aí nem um telefonema a apoiar.
Perdeu-se a pessoa, o que terá dado satisfação a muitos que tentaram corrompê-lo (sem o conseguir, embora alguns mais influentes tenham organizado uma cabala que impediu o Dr. Simões Alberto de ser nomeado Ministro da Educação), mas a obra e o exemplo de retidão ficaram.
Este texto resultou de entrevista a uma das Filhas e à Viúva do Dr. Simões Alberto (Exma. Senhora Dona Hermínia Augusta Pacheco Mendes Simões Alberto), a 29 de outubro de 2011 e pode ser atestado pelo atual Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, e verificado em todos os registos estatais referentes à carreira política e administrativa do Dr. Simões Alberto.
. Biografia do Dr. Simões A...
. Biografia do Dr. Simões A...